13.12.10

Fire to Ashes

Não, não apagaste o fogo.
Este fogo é impossível de apagar.
Vieste, olhaste-me, acendeste-me.
E não és capaz de me apagar.
Porque lenha nunca apagou fogo.
Eu sou fogo, tu és lenha.
Quanto mais te tenho, mais eu ardo.
Queimas-me, consomes-me.
Até que só restem cinzas.

30.11.10

As tuas mãos

Dá-mas e deixa-as vir comigo. Vais começar nas mamas, que te cabem uma em cada mão, na medida certa se as puseres em concha. Aperta-mas, sem magoar, como só tu sabes fazer. Depois desces, pelo estômago, as duas ao mesmo tempo, alinhadas e tocas-me quase só com os dedos. Quando chegares à cintura afastas uma da outra e continuas a descer pelas ancas, e aqui páras e seguras-me bem. Firme. Para que te não fuja, para me penetrares fundo, e intensificas. A seguir desces ainda mais e trá-las em direcção ao centro, coloca-as no meu ventre, as duas, e então segues, para baixo, em direcção às virilhas enquanto eu me torço e contorço de prazer. Não aguento e agarro-as e puxo-te na minha direcção. quero-te mais perto, quero sentir-te o corpo todo, já não me chegam só as tuas mãos.

29.10.10

Preguiça

Hoje é aquele dia em que só me apetece o meu sofá e a minha manta.

Hoje é aquele dia em que fazia um café, enrolava-me na manta e desligava o filho da puta do botão.

Hoje é aquele dia em que não abria os estores nem acendia a luz.

Hoje é aquele dia em que ficava a ouvir, não a chuva mas a tua respiração ofegante depois eu te foder até ao tutano.

21.10.10

Sede

Sinto outra vez a sede de poder tomar conta de mim. A sede de sentir que sou eu que mando, que domino e que será segundo a minha vontade. A sede de manipular e de me divertir a ver o resultado. Tenho esta sede dentro de mim, vou ter de a apagar.

20.10.10

Tecnologia

Vejo-te no ecrã e penso que te chamava um figo. Maduro e doce. Jantas, relaxado à minha frente, como se não estivesse a ver-te. T-shirt, calções e imagino que descalço. Nunca mais faças essa merda que eu fico a pensar que se estivesse aí saltava-te para o colo e desfazia-te, nem acabavas de comer e corrias sérios riscos de quinar de indigestão. Nunca mais faças essa merda. Assim ao longe és tão apetecível. Ao longe.

12.10.10

Nem por sombras

Não sabia. Não sabia que no dia em que te mandei, literalmente, levantar e sair, entrar no carro, no meu não no teu, e te levei sem que tu o soubesses, para minha casa, eu não sabia que a partir desse dia, tudo iria mudar. Bastou a porta bater, e foi o fim do mundo. Do meu, tal como o conhecia.

20.9.10

Ironia

- Tenho ciúmes do homem que ainda não existe na tua vida. Tenho ciúmes dele.

- Irónico como o único homem que poderia ter alguma coisa a dizer a esse respeito é precisamente o único que não tem legitimidade para o fazer. Tu.

Perfeito

- Tu, és perfeito.

(olhar interrogativo)

- Tu, és perfeito, só tens um grande defeito, mas tirando isso, és perfeito.

(olhar ainda mais interrogativo)

- O teu grande defeito é não seres meu.

15.9.10

Travo

A verdade é amarga, mesmo quando sai doce. Mesmo quando é a tua, que debitas com um sorriso nos olhos e com um gesto carinhoso. Queres o calor do corpo e mesmo assim sentes o gelo. Provas o vinho, e sabe-te a fel. Mas tens de dizer a verdade, porque gelada te queima as entranhas, porque coberta de mel te azeda os sonhos. Dizes a verdade, toda a verdade, e aguentas-te ao barulho. E não sabes, não fazes a mínima ideia do que te espera a seguir à tua verdade.

12.9.10

Lucidez

Sabes que tens de parar quando te começa a doer. E quando começa a magoar dispara o mecanismo de defesa para evitar dor, é automático. Pelo menos deveria ser.

9.9.10

Ideia

Fecho os olhos e mergulho na essência tão familiar que me faz perder o norte e o sul. Abro os braços e recebo o corpo que me queima por fora e por dentro. Respiro o mesmo ar e regresso àquele recanto onde só existo eu e uma ideia, a ideia de que não preciso que exista mais ninguém. Nem tu.

31.8.10

Telefonemas

Atenda esta chamada que é para si. Tremo, é ele. Diz-me que vem ter comigo, à noite. Concordo. Está lá, encostado à grade, no páteo, de frente para a porta por onde irei sair, crava-me os olhos mal me vê, e não larga mais, até ao momento em que chego até ele. Vê-me sair, descer os degraus e aproximar-me e não tira os olhos dos meus. Tremo. Sei bem o que dizem aqueles olhos. Vamos, sigo-o. Não sei durante quanto tempo isto aconteceu, estes encontros. Duraram meses, ou anos, não sei. Depois acabou, sem pesar, sem mágoa, sem significado. Até agora. Agora, os olhos dizem exactamente a mesma coisa. E eu, exactamente da mesma maneira, tremo.

26.8.10

Estou...

...numa outra realidade, onde dois corpos se fundem, e onde nada, jamais, voltará a ser igual.

21.8.10

Aroma

- Sabes, mais logo, se eu afastar a gola da t-shirt e me cheirar, sinto o teu cheiro. Mesmo depois do duche, não sei, a minha pele deve absorver o teu cheiro e depois liberta-o, é estranho.

- Não sei, a mim basta-me deitar a cabeça na minha almofada para sentir o teu cheiro, quer dizer, toda a minha cama cheira a ti.

1.8.10

Soft

O suor hidrata-me a pele, torna-a macia e brilhante.
Só que não é o meu.

25.7.10

Sabe-a toda...

- ... um fenómeno da natureza...

- (olhar interrogativo)

- o teu orgasmo... um fenómeno da natureza.

24.7.10

Os gajos não ligam a pormenores

Mas há excepções:

"Adoro a textura das auréolas dos teus mamilos."

E esta, hein?

16.7.10

À primeira vista

Fujo um bocado à regra no que diz repeito à apreciação do corpo masculino. Não são os músculos que me impressionam, não são os olhos. Não. Avalio-lhes os braços e a largura dos ombros, talvez numa ancestral e remota procura de força. São os braços que me hão-de envolver e são os ombros que hei-de morder e beijar quando sentir aquelo corpo em cima do meu. São aqueles braços que num só gesto me darão a volta que me permitirá e impôr o meu ritmo. As mãos. Bem, as mãos, as mãos que apertarão as minhas e cujo percurso pelo meu corpo fará aumentar a temperatura. O resto também interessa, mas na hora H o nosso campo de visão é limitado, e só temos duas mãos e uma boca. Há que não dispersar e concentrarmo-nos no essencial. Quero lá saber da cor dos olhos, do cabelo ou das pernas do gajo quando chegar à cama. Quero lá saber se tem o corpo musculado ou não, quero lá saber dessas merdas. Um gajo não precisa de nada disso para me levar para a cama. Só precisa de ter atitude, e tendo-a, eu só lhe reparo nos ombros e nos braços, bom... e nas mãos. Não sou esquisita, pois não?

7.6.10

Dar

Aos miúdos dá-se o devido desconto, porque não sabem.
Aos espertos dá-se a corda toda, porque pensam que sabem.
Aos graúdos dá-se com os pés, para que fiquem a saber.

28.5.10

A sério?!?

A sério?  "... se eu não demorar muito lá, podíamos encontrar-nos, o que achas?" Estou admirada contigo, que se passa? Sentes-te bem? O que terá mudado? Passaram mais de 6 meses desde que nos vimos pela última vez, o que será que o faz querer ver-me agora? Assim com esta urgência, hoje? Vamos ver, estou curiosa.

24.5.10

Simplesmente

Foste meu. Rendeste-te, não conseguiste fugir mais. Senti-te o coração disparado e a respiração ofegante, quase que te invejei por não ser capaz de tal. É assombrosa a forma como me sinto calma e ao mesmo tempo alerta, serena e ao mesmo tempo atenta. Fiz de ti o que me apeteceu e tu, simplesmente foste meu.

20.5.10

O poder da imaginação.

Há certos espécimens que me despertam a mente. Olho para eles e imagino-lhes os braços à minha volta e as minhas pernas à volta deles. Imagino-lhes as mãos entrelaçadas nas minhas e vejo os meus dedos por entre os cabelos e as mãos nas minhas ancas. Se o gajo me fizer pensar nisto só de olhar para ele, sou capaz de cagar em tudo o resto e pensar só em como será o gajo na cama. É estranho eu sei, mas é automático. O que me faz querer descobrir é tão aleatório como a largura dos ombros, o tamanho das mãos ou a forma como lhe assenta a camisa. Pode ser só o olhar ou a maneira como sorri. Pode ser a anca ou a forma como coloca as pernas quando se senta. Tudo merdas isoladas que de alguma forma me despertam o instinto. É estúpido, também sei, deveriam ser as coisas gentis que eventualmente possa dizer, ou as delicadezas que eventualmente possa demonstrar, ou até os elogios que fazem derreter a maioria das mulheres. Comigo não funciona assim, é animalesco. E como é animalesco não faz sentido nenhum. Bate certo.

17.5.10

You're in the army

É ou não é engraçado poder aplicar a expressão "marchar" a um tipo que é militar? Eu acho delicioso, já "marchou" e não tarda nada "marcha" outra vez.

11.5.10

Fartura

Divulgados os nomes ontem, com fotografias e excertos de movimentos a acompanhar. São tantos que lhes perdi a conta. Todos frescos e saudáveis, aparentemente em grande forma, vai ser um espectáculo. Vai começar a puta da loucura, o histerismo em massa. Espero francamente que os rapazes façam um bom trabalho e encham de orgulho os lusitanos. Mas se a coisa correr mal logo no início, não faz mal, eu tenho destino para eles. Encho-os de miminhos, limpo-lhes as lágrimas e tiro-lhes toda a tristeza e frustração. Tragam-me um de cada vez e com 24 horas de intervalo entre cada um deles, ok? Deve dar para mais de um mês, não?

Serves-me

Reconsidera só porque o viu e pensa: serás meu. Sentirei a tua pele na minha e o teu ar confundir-se-á com o meu. Serves-me, como uma peça de roupa que se cobiça numa montra, cobiço o teu corpo e desprezo a tua mente. Serves-me, usar-te-ei só porque me apetece. Serves-me, dar-me-ás o que quero, depois decidirei o que fazer contigo. Não duvides, serás meu.

9.5.10

Eyes wide shut

Tudo na mesma. Elas aos pinchos, eles de copo na mão, camisas abertas e calças descaídas armados em machões. Uma dúzia de adultos todos concentrados que, visivelmente aborrecidos miravam as rapariguinhas ensandecidas. Chega uma mulher adulta com um simples vestido preto e uns saltos que nem eram muito altos e de repente já ninguém mirava, de repente olhavam descaradamente. Entende-se, aquela mulher representa tudo o que as miúdas terão e serão um dia, mas ainda é cedo. Primeiro estava sóbria, elas ou não estavam ou fingiam não estar. Depois aquela mulher dançava, não pulava e aquela mulher sorria, não para eles, para ela própria, dançava e sorria, de olhos fechados absorvia o ritmo e deixava-o percorrer todo o corpo, em perfeita sintonia. E eles olhavam para ela, não miravam, olhavam. Ela, se quisesse teria qualquer um deles facilmente, mas dançou, para ela, não para eles, só dançou e sorriu, de olhos fechados. Mas bem abertos.

7.5.10

Explicações desnecessárias

Conheço uma gaja que vive numa espiral de cenas e por mais que seja óbvio para todos ela, coitada, insiste naquilo e não há volta a dar-lhe. Vive na expectativa de obter uma reacção que seja de um gajo que ela idolatra nuns dias, noutros enfurece-se e odeia-o. Mas por mais que faça ele caga de alto, não reage, fica impávido e sereno. Eu duvido que ele sequer note as artistices que ela faz. Estas coisas fazem-me confusão, porque a explicação é muito simples. Meus amigos, convenhamos:

a) A gaja está interessada num tipo que tem namorada.
b) A gaja faz trinta por uma linha para lhe chamar a atenção.
c) O tipo dá-lhe alguma trela mas mantém as distâncias.
d) A maior parte das vezes o tipo ignora-a

Hipótese nº 1 - Ela acha que ele está interessado nela mas tem medo das próprias emoções, que tem receio de se entregar, que tem medo de amar alguém, esse sentimento tão sublime e o caralho mais velho, etc, etc, etc...

Hipótese nº 2 - Ela acha que ele está interessado mas como tem namorada não quer causar-lhe um desgosto, e é muito sensível e tem muito cuidado, e ele quer muito mas não pode, coitadinho e o caralho mais velho, etc, etc, etc...

Hipotese nº 3 - Eu acho que o gajo está bem a cagar-se para ela, gosta da namorada e está bem assim, provavelmente diverte-se à pala dela quando lhe atira umas migalhas de atenção, porque um gajo quando quer faz-se à puta da vida, por isso ele não quer saber dela para nada e o caralho mais velho etc, etc, etc...

Percebido? Hipótese nº 3, OK? É a 3, tá? Queres que te faça um desenho?

24.4.10

Perguntas sem resposta

Quando sentes aquela merda na barriga, quando tremes por dentro e as pernas te falham, o que é?

1) Vais fazer um exame, do qual depende o teu futuro.

2) Vais levantar o resultado de um exame médico que fizeste por causa da suspeita de uma doença grave.

3) Ouves uma música que te traz recordações de bons momentos.

4) Prevês que vais encontrar um gajo, "aquele" gajo.

Há mais alguma opção além destas?

Se houver por favor digam-me que às vezes sinto esta merda e não faço a puta da mínima ideia porque será.

22.4.10

Catálogo - Bipolares

São extremamente inteligentes, brincalhões e agradáveis. Óptimas companhias e muito estimulantes. Por outro lado, no que toca a relacionamento humano são umas autênticas bestas, ficam ceguinhos e mouquinhos e todos taralhocos, emburrecem de repente. Não havendo qualquer proximidade são maravilhosos, mas se sentem que há uma, ainda que muito ténue, possibilidade de terem de se aproximar uns milimetros não têm a mínima noção de nada. Mostram toda a insegurança que os rói por dentro e que tentam todo o custo manter secreta. Era giro era se acertassem, que muitas vezes as gajas não se querem envolver, eles é que acham que sim. Mantinham a parte boa sempre activa, que é o que realmente interessa. Abram os olhinhos moços! Ou vão ao psiquiatra, também dá.

21.4.10

Catálogo - Tretas

Quem os ouve fica a pensar que encontrou um verdadeiro Don Juan. Que é só gajas a pairar em redor deles e que eles se divertem à brava. Depois, na prática, nada bate certo, perante a oportunidade recuam. Ou têm namorada ou esposa que adoram e que nem ousam sequer saltar a cerca, ou têm namorada ou esposa que não adoram e sonham saltar a cerca mas falta-lhes a coragem ou o jogo de cintura para conseguirem desmarcar-se e aproveitar a oportunidade. Estavam tão bem caladinhos. Destes distância. Um gajo para uns lances quer-se sempre disponível, nunca limitado por uma namorada/esposa, mesmo que eles jurem a pés juntos que não faz diferença. Faz sim senhor, sou egoísta, e depois?

Catálogo - Corajosos

Cagadinhos de medo, nem acreditam no que lhes está a acontecer, mas mesmo assim avançam com tudo. A tremer, com o coração aos saltos, mas nem um piscar de olhos de hesitação. Ai é? Então andamento que se faz tarde!

Catálogo - Puros

Querem é sexo e não estão ali para enganar ninguém. Dão o que têm, não pretendem ser mais do que o que são, mas o que são mostram com boa vontade. São atenciosos na medida certa. Não chateiam nem cobram. Tudo claro e óbvio para que não haja confusões. Avançam sem medos de levar uma nega, e eu, quando os topo não desperdiço.

Catálogo - Indecisos

Andam, enrolam, lançam charme, insistem. E mais nada. Fazem render o tempo que não temos e esgotam a paciência que teima em não aumentar. Gostam de merdas como jantares românticos, passeios e afins. E uma gaja que até se sinta atraída pelo aspecto do cromo, que já decidiu que lhe vai fazer a folha, nos entretantos arrefece e quando o gajo acorda já outro lhe passou a perna e roubou o lugar. Azar!

Catálogo - Espertos

Estes tiram-me a tusa toda. Acham-se muito bons e que nós os queremos a toda a força comer. Riem-se para dentro das ilações (sempre erradas) que tiram do nosso comportamento. Tiram-me a tusa, mas acho-lhes piada, divertem-me. O gozo que me dá que eles pensem que ando, desesperada a tentar saltar-lhes para a espinha, para depois os deixar a ver navios. Ai, que gozo!

16.4.10

Catálogo - Equilibristas

Há homens que fazem sexo como se fizessem amor. Abstraem-se do facto de estarem com alguém que não amam e beijam como se amassem, tocam como se amassem, olham como se amassem. Esses homens são bons. São um perigo também. É fugir a sete pés antes que eles percam a capacidade de abstracção e passem mesmo a fazer amor.

Catálogo - Engraçados

Há homens que são tão engraçados que o riso é inevitável mesmo naquelas situações em que eles claramente nos querem saltar para cima cegos de tesão. Chegam a roçar o ridículo quando pensam que nos fazem mudar de ideias e que vamos ceder. Mas o que é isso, ceder? Acham que se debitarem a conversa certa, que se o beijo for certo, que se tocarem no sítio certo obtêm a rendição. Tão engraçados, tão queridos. Ainda ninguém lhes explicou que há mulheres que só se rendem à sua própria vontade, que só se regem pelas suas próprias condições e que só disfrutam daquilo que lhes dá prazer. A elas, não a eles.

13.4.10

Afterwards

E depois da tempestade veio a bonança. Ela queria saber como era sem ter os sentidos toldados pela ansiedade. Tudo novo, tudo certo. Não sentiu adrenalina, foi calculado mas de forma diferente. Foi consciente desta vez, e sentiu-o agora solto. Livre e leve, e paradoxalmente mais intenso. Aqui é que a porca torce o rabo. Aqui é que mete medo, não dela, dele. Medo que ele se perca num turbilhão de onde não saberá talvez sair. Ela sabe, ela conhece este turbilhão e sabe muito bem desviar-se dele. A ela, passa-lhe ao lado. Mas ele, ele é fácil de se perder, de se deixar ir, e ela, que não é cruel, não quer.

9.4.10

Caça

Ardilosa, ela cerca-o e confunde-o. Não tem como escapar. Lança-lhe as patas ao pescoço e sente-lhe o cheiro. Organiza mentalmente a armadilha, deixa-o recuperar o fôlego, e espera. Mostra-lhe o isco e trá-lo ao seu covil. Ao engano, ele entra sem hesitar. O pêlo eriça, os olhos brilham, a boca saliva. Está na hora. Agora. Mostra-lhe as garras e desfá-lo.

30.3.10

Puro instinto

A Natureza está muito bem feita. Tire-se-lhe o bom senso e a fêmea saliva, ferve, arde. Por segundos, ela esquece-se que pensa e admira-lhe as mãos, grandes e fortes. Se fechasse o olhos veria nitidamente aqueles braços de volta dela. Confere a largura dos ombros e confirma que é perfeita. Contempla o rosto anguloso e admira o maxilar largo, fingindo que ouve o que ele diz. E sente. Sente-lhe o cheiro e o instinto grita. Depois instala-se a lucidez que a manda que ignorar todos os impulsos. A fêmea obedece, mas não sossega, até estar satisfeita.

27.2.10

A voz

A voz é suave, serena, sai num tom que lhe agrada, o timbre provoca-lhe uma reacção química que logo na primeira vez que a ouviu, foi suficiente para acabar com a última dúvida. Pena que quando ela gostaria de lha ouvir ele fique em silêncio. Ela imagina a voz dele, imagina a boca dele perto do seu ouvido, imagina as palavras que gostaria que ele lhe dissesse com aquela voz. Mas ele não diz. Ele fica em silêncio. Oh... como ela queria ouvir aquela voz. Ela tenta e esforça-se mas não lhe serve de nada. Pelo menos quando ela o chama ele vem, sempre. Ao menos isso. Mas, verbalizar tudo o que ela sabe que ele sente quando estão enrolados um no outro, isso nada. 
Ele não é dos que falam.
Ele, ele faz.

26.2.10

Filtro

Todos os homens têm qualidades, e essas qualidades serão mais ou menos óbvias dependendo da mulher que têm à frente. Podemos chamar-lhe química, se quisermos. Podemos chamar-lhe o encontro das almas gémeas. Há sempre alguém que combina com alguém. Há sempre alguém à espera de nos encontrar. Lembremo-nos apenas que esse alguém não é perfeito e que as qualidades estão lá mas que por vezes é preciso procurá-las, ou deixá-las despontar naturalmente com o tempo.

1,2,3... Acabou a lamechice.

Todos os homens têm qualidades. Nós só temos é de as aproveitar e mandar às urtigas todos os nós cegos das cabeças deles. Filtremos o bom, em rede bem fina, para que só fique o melhor. O resto, ralo abaixo. Abracemos a expressão "tu fazes-me dar o melhor de mim" dando-lhe todo um novo significado. Nós queremos o melhor que cada homem tem para nos dar. Seja lá o que isso for, desde que seja "the finest thing".

24.2.10

It's not the men in my life, it's the life in my men.

Senhoras e senhores,
Aqui vamos debater um tema polémico.
Aqui se falará das mulheres que gostam de homens, que os vêm conforme eles são, e que lhes dão o devido desconto. Aqui se falará das mulheres que gostam deles, que não vivem sem eles apesar de lhes conhecerem todas as falhas. Das mulheres que fazem dos homens verdadeiros homens e das mulheres que os deixam ser miúdos uma vida inteira. Das mulheres que lhes alimentam o ego e das que os mantêm no devido lugar. Das mulheres que os idolatram e das que os espezinham. Das mulheres que perdoam e das vingativas. Das que choram por eles e por causa deles e das que se riem deles e com eles. Todas elas, na sua infinita variedade, gostam dos homens. Muito mais gostam quando dizem com toda a certeza que não.