9.5.10

Eyes wide shut

Tudo na mesma. Elas aos pinchos, eles de copo na mão, camisas abertas e calças descaídas armados em machões. Uma dúzia de adultos todos concentrados que, visivelmente aborrecidos miravam as rapariguinhas ensandecidas. Chega uma mulher adulta com um simples vestido preto e uns saltos que nem eram muito altos e de repente já ninguém mirava, de repente olhavam descaradamente. Entende-se, aquela mulher representa tudo o que as miúdas terão e serão um dia, mas ainda é cedo. Primeiro estava sóbria, elas ou não estavam ou fingiam não estar. Depois aquela mulher dançava, não pulava e aquela mulher sorria, não para eles, para ela própria, dançava e sorria, de olhos fechados absorvia o ritmo e deixava-o percorrer todo o corpo, em perfeita sintonia. E eles olhavam para ela, não miravam, olhavam. Ela, se quisesse teria qualquer um deles facilmente, mas dançou, para ela, não para eles, só dançou e sorriu, de olhos fechados. Mas bem abertos.

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