24.4.10

Perguntas sem resposta

Quando sentes aquela merda na barriga, quando tremes por dentro e as pernas te falham, o que é?

1) Vais fazer um exame, do qual depende o teu futuro.

2) Vais levantar o resultado de um exame médico que fizeste por causa da suspeita de uma doença grave.

3) Ouves uma música que te traz recordações de bons momentos.

4) Prevês que vais encontrar um gajo, "aquele" gajo.

Há mais alguma opção além destas?

Se houver por favor digam-me que às vezes sinto esta merda e não faço a puta da mínima ideia porque será.

22.4.10

Catálogo - Bipolares

São extremamente inteligentes, brincalhões e agradáveis. Óptimas companhias e muito estimulantes. Por outro lado, no que toca a relacionamento humano são umas autênticas bestas, ficam ceguinhos e mouquinhos e todos taralhocos, emburrecem de repente. Não havendo qualquer proximidade são maravilhosos, mas se sentem que há uma, ainda que muito ténue, possibilidade de terem de se aproximar uns milimetros não têm a mínima noção de nada. Mostram toda a insegurança que os rói por dentro e que tentam todo o custo manter secreta. Era giro era se acertassem, que muitas vezes as gajas não se querem envolver, eles é que acham que sim. Mantinham a parte boa sempre activa, que é o que realmente interessa. Abram os olhinhos moços! Ou vão ao psiquiatra, também dá.

21.4.10

Catálogo - Tretas

Quem os ouve fica a pensar que encontrou um verdadeiro Don Juan. Que é só gajas a pairar em redor deles e que eles se divertem à brava. Depois, na prática, nada bate certo, perante a oportunidade recuam. Ou têm namorada ou esposa que adoram e que nem ousam sequer saltar a cerca, ou têm namorada ou esposa que não adoram e sonham saltar a cerca mas falta-lhes a coragem ou o jogo de cintura para conseguirem desmarcar-se e aproveitar a oportunidade. Estavam tão bem caladinhos. Destes distância. Um gajo para uns lances quer-se sempre disponível, nunca limitado por uma namorada/esposa, mesmo que eles jurem a pés juntos que não faz diferença. Faz sim senhor, sou egoísta, e depois?

Catálogo - Corajosos

Cagadinhos de medo, nem acreditam no que lhes está a acontecer, mas mesmo assim avançam com tudo. A tremer, com o coração aos saltos, mas nem um piscar de olhos de hesitação. Ai é? Então andamento que se faz tarde!

Catálogo - Puros

Querem é sexo e não estão ali para enganar ninguém. Dão o que têm, não pretendem ser mais do que o que são, mas o que são mostram com boa vontade. São atenciosos na medida certa. Não chateiam nem cobram. Tudo claro e óbvio para que não haja confusões. Avançam sem medos de levar uma nega, e eu, quando os topo não desperdiço.

Catálogo - Indecisos

Andam, enrolam, lançam charme, insistem. E mais nada. Fazem render o tempo que não temos e esgotam a paciência que teima em não aumentar. Gostam de merdas como jantares românticos, passeios e afins. E uma gaja que até se sinta atraída pelo aspecto do cromo, que já decidiu que lhe vai fazer a folha, nos entretantos arrefece e quando o gajo acorda já outro lhe passou a perna e roubou o lugar. Azar!

Catálogo - Espertos

Estes tiram-me a tusa toda. Acham-se muito bons e que nós os queremos a toda a força comer. Riem-se para dentro das ilações (sempre erradas) que tiram do nosso comportamento. Tiram-me a tusa, mas acho-lhes piada, divertem-me. O gozo que me dá que eles pensem que ando, desesperada a tentar saltar-lhes para a espinha, para depois os deixar a ver navios. Ai, que gozo!

16.4.10

Catálogo - Equilibristas

Há homens que fazem sexo como se fizessem amor. Abstraem-se do facto de estarem com alguém que não amam e beijam como se amassem, tocam como se amassem, olham como se amassem. Esses homens são bons. São um perigo também. É fugir a sete pés antes que eles percam a capacidade de abstracção e passem mesmo a fazer amor.

Catálogo - Engraçados

Há homens que são tão engraçados que o riso é inevitável mesmo naquelas situações em que eles claramente nos querem saltar para cima cegos de tesão. Chegam a roçar o ridículo quando pensam que nos fazem mudar de ideias e que vamos ceder. Mas o que é isso, ceder? Acham que se debitarem a conversa certa, que se o beijo for certo, que se tocarem no sítio certo obtêm a rendição. Tão engraçados, tão queridos. Ainda ninguém lhes explicou que há mulheres que só se rendem à sua própria vontade, que só se regem pelas suas próprias condições e que só disfrutam daquilo que lhes dá prazer. A elas, não a eles.

13.4.10

Afterwards

E depois da tempestade veio a bonança. Ela queria saber como era sem ter os sentidos toldados pela ansiedade. Tudo novo, tudo certo. Não sentiu adrenalina, foi calculado mas de forma diferente. Foi consciente desta vez, e sentiu-o agora solto. Livre e leve, e paradoxalmente mais intenso. Aqui é que a porca torce o rabo. Aqui é que mete medo, não dela, dele. Medo que ele se perca num turbilhão de onde não saberá talvez sair. Ela sabe, ela conhece este turbilhão e sabe muito bem desviar-se dele. A ela, passa-lhe ao lado. Mas ele, ele é fácil de se perder, de se deixar ir, e ela, que não é cruel, não quer.

9.4.10

Caça

Ardilosa, ela cerca-o e confunde-o. Não tem como escapar. Lança-lhe as patas ao pescoço e sente-lhe o cheiro. Organiza mentalmente a armadilha, deixa-o recuperar o fôlego, e espera. Mostra-lhe o isco e trá-lo ao seu covil. Ao engano, ele entra sem hesitar. O pêlo eriça, os olhos brilham, a boca saliva. Está na hora. Agora. Mostra-lhe as garras e desfá-lo.